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Por Renato Costa

Escolhi ser jornalista para contar história. Descendente de sambistas, amante do cinema, batuqueiro do Carnaval e hiperconectado. Quer saber a próxima novidade? Senta aí, que eu vou te contar.

No início de 2018, a Rede Globo criou um movimento para incentivar que os telespectadores enviassem vídeos gravados na horizontal ou modo paisagem. A ação fazia parte da campanha ‘O Brasil Que Eu Quero Para o Futuro’ e mobilizou todo o elenco global. O resultado, além dos memes nas redes sociais, parece que ficou aquém do que a emissora esperava. Por um motivo bem simples: o celular está mudando a forma como enxergamos o mundo e a verticalização dos conteúdos audiovisuais é um movimento irreversível.

‘O Brasil Que Eu Quero Para o Futuro’, campanha feita pela Globo em 2018

Meme com a campanha ‘O Brasil que Eu Quero Para o Futuro criado pelo site BuzzFeed

E pensar que gravar em modo retrato ou vertical já foi considerado um erro de quem não sabia utilizar o celular. Mas essa ideia tem um fundamento: toda a nossa comunicação audiovisual anterior aos smartphones foi construída para ser horizontal. Os telões dos cinemas, as televisões domésticas, as câmeras analógicas, os monitores de computador e até as câmeras digitais que ainda são usadas atualmente. Todo esse aparato foi criado por causa da constituição biológica humana e para aproveitar a nossa visão periférica.  Interessante, não?

Voltando aos vídeos na vertical, antes que você acredite que esse artigo é sobre Biologia, uma pesquisa feita pela empresa americana MediaBrix em 2016, apontava que a taxa de conclusão de 90% para vídeos criados em modo retrato. A explicação para a efetividade pode ter relação com a experiência do usuário, que é pouco afetada neste formato. No Brasil não há pesquisa aprofundada sobre o assunto, mas sabe-se que o consumo de conteúdo audiovisual na internet subiu 135% em quatro anos, segundo o Google. Esses acessos vêm principalmente de celulares.

thumb-videos-verticais-os-celulares-mudaram-a-forma-como-consumimos-conteudo

Os gigantes da internet vêm dando passos para mostrar que o formato vertical não é mais uma barreira. O YouTube melhorou a sua plataforma para a exibição de conteúdo no modo retrato em 2017. No ano seguinte, o Instagram lançou a IGTV, um serviço para vídeos longos e criados neste formato.  Estamos vendo uma mudança estética no enquadramento, com um reposicionamento do forçado, liderado pelas narrativas que estamos construído com nossos smartphones.

Curta ‘Bygda Som sa Nei’

Por outro lado, a indústria do entretenimento (cinema e TV) ainda torce o nariz para os vídeos na vertical, sobretudo por estar presa aos conteúdos horizontais. Porém há iniciativas tímidas para tentar mudar esse paradigma como o festival de australiano Vertical Film Festival (VFF) e o curta-metragem documental da TV norueguesa NRK ‘Bygda Som sa Nei’ (a aldeia que disse não), sobre um hotel que é ocupado por refugiados.

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