Anderson Costa

Por Anderson Costa

Jornalista com especialização em planejamento de comunicação digital. Um curioso permanente.

Hoje ter um site responsivo é uma boa prática presente em boa parte dos profissionais que desenvolvem sites. Isso é extremamente saudável num mercado dominado por smartphones. Porém, a lógica de trabalho pode estar errada do ponto de vista de negócio. Explico o porquê neste texto.

Apresento a vocês dados atualizados do Kantar Ibope TGI (Target Group Index), liberado anualmente pelo grupo Kantar Media Ibope e que tem sido de grande apoio aos profissionais de Mídia e Planejamento dentro das agências e anunciantes brasileiros. Clarifico um dado em específico: a evolução do potencial de cobertura ao longo dos anos dos principais meios de comunicação no Brasil.

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Observem o seguinte: as curvas de queda ou crescimento dos meios tradicionais de comunicação, em termos de cobertura nacional, já andam conforme esperávamos – TV aberta perdendo espaço, mídia impressa em queda livre, etc. Porém, observem o que acontece com nossa área de interesse nesse artigo. A cobertura de acesso à internet via desktop, que reinava absoluta há 5 anos atrás, perdeu quase 30% dessa fatia. Justamente para o mobile, que tinha 14% do share em 2013 e nos dados de 2017 já mostra 67% de cobertura. Maior que o rádio, já encostando no Out of Home (mídias externas como relógio, outdoors, etc) e correndo atrás da TV aberta. Mas mais importante: o DOBRO do acesso via internet no desktop.

Voltemos nossos olhos para outro indicador importante do mercado. A pesquisa TIC Domicílios realizada anualmente pelo
Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), que mapeia o uso de tecnologia nos domicílios urbanos e rurais do país e as formas de uso destas tecnologias por indivíduos de 10 anos de idade ou mais. Observemos os dados referentes a 2017, quando vemos usuários de internet no Brasil por dispositivo utilizado.

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Novamente, os mesmos recortes apresentam a mesma tendência. O acesso à internet via computador (desktop) perdeu quase metade do share, enquanto o telefone celular ganhou 20% em 4 anos.

Concluímos, então, que hoje o smartphone/celular é a principal forma de acesso do brasileiro à internet com esses dois fatos, correto? Pois bem, voltemos aos sites responsivos. E à provocação inicial deste post.

Se a principal forma de acesso à internet de seu público é móvel, por que você pensa em adaptar um site desktop, e não criar para mobile primeiro? Por que não priorizar o primeiro ponto de contato do seu público com seu site, e não o segundo?

É importante começarmos a pensar na experiência do usuário a partir do seu principal ponto de acesso. Especialmente pensando na jornada do consumidor do seu negócio. Se ela passa frequentemente pelo uso de dispositivos móveis, é esse ponto de contato que merece a maior atenção, e não o contrário.

Isso se aplica ao seu negócio? Provavelmente sim. Claro, é preciso validar essa hipótese. Observe a audiência do seu site atual via Google Analytics, especialmente por dispositivo e pelos momentos de acesso ao longo do dia. Leve em conta também o perfil do seu público – faixa etária, perfil de renda, por exemplo. Mesmo em divisões de idade e renda diferentes, o acesso a mobile pode até ser maior. Especialmente em público jovens e profissionais em deslocamento constante.

Se o acesso via dispositivo móvel é grande parte da jornada diária de contato do seu consumidor com seu conteúdo/produtos, pensar em uma melhor experiência mobile está na sua lista de prioridades neste momento.

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